MARTINHO OFREDUCCIO:O GATO POETA

DIÁRIO DE UM GATO POETA

domingo, 23 de maio de 2010


Não sei como as folhas,
em remoinho,
acordam ao lado das fontes.
Não é o acaso, que nem os versos,
sedentos de rigor,
afinam com o imprevisto.
Será o sol que as desperta
e eu as ouço
no silêncio deste quarto!
Tudo parece tão simples,
até o murmúrio
da luz, ao desfazer-se,
com o seu vagar,
nas frestas da janela.
E, assim, as vozes
do mundo se revelam,
em uníssono;
um rumor que parece
atravessar os vitrais do tempo.
A espessura da sua leveza
transforma-as em cânticos
e orações.
Tempo de acenos felizes,
acordar ao lado da manhã
e cantar:
ser folha ao lado das fontes.

*

Dito por um gato-poeta, de nome Martinho (séc. xx)

quarta-feira, 28 de abril de 2010




Uma lua sem memória,
Uma lua nova:
Um presente crepuscular,
Uma rosa orvalhada
A poesia tresmalhada e os canteiros
De estrelas em chuva de flores.
E eu, a lua.
E o poema, o círculo,
Onde a fonte é o céu,
E a lua fora do texto.
Lua em botão,
Fim de Verão:
As dálias alegres
E redonda a minha saia.
Pintado de branco,
O banco, onde me sento:
-o Globo em perpétuo movimento.
*
Dito por um gato-poeta de nome Martinho Ofreduccio

segunda-feira, 26 de abril de 2010


A excelsa luz esmaece o final de tarde,
Envolvida na poeira dos caminhos
E, como o pano sobre o palco,
A cortina de sombras cai sobre
A fugaz paisagem das videiras.
Sorri, pois ainda mal se esfumaram
Os sonhos da noite anterior,
Sorri, pois, com o sorriso aberto das flores
Na manhã que há-de vir.
Na distância da dor, desdobra-te
Em curva e fecha-te,
Até que os sinos cessem de tocar
E, de novo, a tarde seja a tangente
Da imaginação, no corte da realidade.
E eu,
assim, me vou sentindo também flor,
E a flor,
livre de ser rosa, ou ervilha-de-cheiro.
»

Dito por um gato-poeta do séc.xx, de nome Martinho Ofreduccio

sábado, 3 de abril de 2010


Olha, como se distancia de mim
Um simples til, soltando-se
Da palma da minha mão.
Uma frágil borboleta, voando assim:
Com o ímpeto do meu coração!
Ah, se ela pudesse pousar aqui,
Voltaria o sonho, depois da gestação:
Entre a mão e a borboleta,
O poema, a desdobrar-se em violeta
E a forma, a transcender o poema
***
Dito por um gato-poeta do séc xx de nome Martinho Ofreduccio

sábado, 6 de março de 2010


Eu, Ela e o Melro (com Inês ao fundo)

De nossos anos, ____________________________________***
estávamos colhendo
tão doces frutos
do pomar e florzinhas
na escala perfumada
dos canteiros,
onde o melro anunciava,
sob a nossa perplexidade,

o enigma das distâncias:

As sílabas abrigavam-se no contorno do papel
e a lua fazia-se branca no perfil da noite.

Martinho Ofreduccio, Gato-Poeta do Séc.XX

sábado, 19 de setembro de 2009

O LUGAR DA OMNISCIÊNCIA

"St. Augustin described the nature of God as a circle whose centre was everywhere and its circumference nowhere.” (EMERSON: 279)




No centro está a virtude._nas margens, o fogo do pensamento._ nos becos, o princípio das margens._no princípio, o fio da solidão, em reverberação do tempo primordial!




Dito por um gato-poeta de nome Martinho Ofreduccio, séc xx

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

TALVEZ





Talvez, foi tudo quanto ouvi,
Talvez seja este o momento,
Talvez ela venha aqui
Talvez, no seu passo lento...

Eu e Ela, o melro e a pena,
Em melodia suave de dança,
Brotaremos, sem pressa,
Num círculo de esperança.

E depois, quem sabe,
talvez,
no incêndio do mar,
a palavra
seja o rumor de nós
E se transforme,
reluzente,
em voz...ou no rubor
estilhaçado da tarde.

***

(Martinho, gato-poeta do séc. xx)

***

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